Queime

Vultos deslizavam na escuridão. O vento sibilava para quem quisesse ouvi-lo, mas ninguém ali dava atenção. Era uma rua deserta, prédios abandonados e vitrines quebradas, carros queimados e postes tombados. Um cenário caótico ilustrado com personagens putrefatos. Zumbis se refugiavam nos escombros de um edifício, como ratos no esgoto. 

Jaime andava com uma estranha tranquilidade. O sobretudo preto esvoaçava com a força do vento, e o som de seus sapatos pisando em cacos de vidro era a única coisa que quebrava o silêncio. 

A penumbra não o incomodava. O mau cheiro não o incomodava. A adrenalina o excitava

Um gemido então surpreendeu o rapaz, e passos arrastados vieram a seguir. Ele parou, e inclinou a cabeça na direção do vulto que se aproximava. Seus olhos verdes brilharam ardilosos, e um sorriso de malícia lentamente cresceu em seu rosto.

O zumbi vinha até ele, deixando um rastro de gosma vermelha para trás. Sua pele tinha um tom arroxeado, e feridas em carne viva eram vistas nos braços e no pescoço da criatura. A boca torta emitia sons ininteligíveis. “Língua zumbi”, Jaime pensou com desdém.

A criatura logo se precipitou contra ele, e o rapaz velozmente se esquivou para o lado, deixando seu pé estendido para que o outro tropeçasse. O zumbi foi de encontro ao chão, e caiu estatelado no asfalto. O Laforet riu maldosamente, e ouviu uma exclamação de raiva zunir da criatura. 

 - Estúpido. - ele murmurou e acendeu um cigarro.

A criatura estendeu um dos braços e agarrou a perna dele. Sem esforço Jaime se soltou, dando um forte chute no antebraço do zumbi. Tomado de excitação, chutou-o novamente, dessa vez em seu abdômen e gemidos de dor se fizeram ouvir. Ele rodeou o corpo caído com uma faceta de desprezo. Tirou o cigarro da boca e assoprou a fumaça na direção do zumbi. Ponderou por segundos se ainda tinha tempo de se divertir com a criatura, mas quando concluiu que não, foi rápido em pegar a arma no cinto da calça. Mirou e atirou na cabeça. 

Sangue agora manchava o asfalto e escorria na direção de Jaime. Ele guardou a arma e observou o líquido vermelho escoar para os lados. A adrenalina que outrora o excitava, agora se esvaia como se dispersava o sangue da criatura. Com uma expressão de indiferença no rosto, atirou o cigarro no cadáver, que logo se consumiu em chamas. Ele permaneceu ali, observando o crepitar do fogo e suas labaredas aumentarem. Mas quando o cheiro de queimado ficou mais forte, o rapaz sabia que devia ir. Em breve, outros zumbis viriam, porém Jaime não tinha tempo para eles agora. 

Ele deu as costas ao corpo em chamas, e caminhou para longe, o pensamento distante. Tinha assuntos a tratar. Alguém precisava manter a atual “ordem” do sistema. Ou a falta dela. 

E lá estavam os Laforet. 


Name: Jaime Laforet

Age: 24

Status: Human

Skills: Guns, knifes, hand to hand combat